Quem se faz deslocar diariamente pelos caminhos e estradas da Carapeços apercebe-se facilmente que toda a Freguesia se transformou num autêntico estaleiro de obras. Por um lado, temos as obras da responsabilidade da Águas de Barcelos, por outro, temos os efeitos da catástrofe natural que assolou Carapeços, tendo deixado um rasto de destruição e caos.
Em relação às obras de instalação das redes de água e saneamento, muitas críticas haveriam a fazer, sobretudo no que diz respeito ao excessivo tempo que as empresas que estão a efectuar os trabalhos demoram a repavimentar as estradas e caminhos intervencionados.
Neste caso, poderia haver um pouco de sensibilidade por parte da Câmara Municipal, enquanto fiscalizadora da obra, para certas situações em que a circulação em segurança para peões e automóveis é posta em causa.
Depois de muito transtorno, os habitantes de Carapeços vão ainda, à semelhança dos restantes barcelenses, ter de pagar uma exorbitância pela ligação à rede de água e em alguns casos, também, saneamento. E para agravar a situação, parece que a ligação será mesmo obrigatória e quem se recusar a efectuá-la pode ver os seus bens penhorados. Pelo menos foi isso que a Águas de Barcelos disse a um cidadão que não se mostrou receptivo a efectuar a ligação à rede. É o que se pode chamar um “negócio da China” para alguns e um assalto à carteira para outros.
No que diz respeito aos efeitos que fortes chuvadas provocaram na Freguesia, a palavra de ordem é reconstruir e reparar. Mas não se pense que a reconstrução tal e qual estava anteriormente à tempestade é uma solução definitiva. É necessário que a população, sobretudo a que reside nos locais mais afectados, tenha consciência que estes fenómenos naturais terão efeitos cada vez mais devastadores e serão cada vez mais frequentes. Por isso, reconstruir da mesma forma o que a água destruiu é tapar o sol com a peneira. É solucionar a questão temporariamente.
São necessárias medidas urgentes para minorar os efeitos que as chuvadas fortes provocam. Neste sentido, importa referir algumas medidas que parecem ser condições indispensáveis para a resolução, ou pelo menos para uma redução, dos efeitos adversos das intempéries que têm atingido a Freguesia.
Em primeiro lugar é necessário devolver aos cursos de água aquilo que ao longo dos anos, e com a conivência das sucessivas juntas de Freguesia, lhes foi retirado. Em algumas situações os rios foram afunilados, noutras efectuou-se o seu entubamento e em casos mais gritantes alguns particulares apoderaram-se simplesmente de partes do rio.
Em segundo plano está o ordenamento do território. Cada vez mais a construção se efectua demasiadamente perto dos cursos de água, o que acarreta por si só uma série de problemas difíceis de resolver, como por exemplo a segurança de quem habita nessas habitações.
É certo que os incêndios do verão passado tiveram uma influência catastrófica no desenrolar da situação. Mas será que não se poderia ter feito algo no sentido de reduzir as probabilidades de catástrofe natural? De certeza que sim, mas faltam duas coisas aos políticos locais: meios financeiros e vontade política.
Enquanto a mentalidade do “esperar para ver” persistir no seio da classe política e nada se fizer no que respeita a devolver aos cursos de água aquilo que sempre lhes pertenceu, pouca coisa podemos esperar de bom nos anos que se aproximam. É que, de facto, estes fenómenos extremos vieram para ficar e terão efeitos cada vez mais devastadores.
Mas alguém quererá agir?
(Eduardo Duarte)
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